De uns tempos pra cá, venho pesquisando sobre a U.R.S.S (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e sobre os fatos marcantes desta extinta nação de mais de 22 milhões de quilômetros quadrados (maior que toda a América do Sul). Estes dias estava observando uma foto do navio da Cunard Line, Queen Mary, que hoje é um navio museu e um hotel, e acabei focando em um detalhe que não tinha reparado ainda: no submarino que hoje acompanha o navio.
O mais surpreendente é que ele é da URSS. Como cheguei a esta conclusão? Fácil, pela análise vexilológica das bandeiras que o submarino carrega. Em uma embarcação normal de guerra ( ou nuclear ) da URSS, estariam em seus mastros a Insígnia naval da Federação da URSS e o Jaco Naval - bandeiras de navegação. Veja a seguir a foto original, e, em seguida, uma montagem que eu fiz com as devidas observações:
O submarino em questão é o B-427, da Classe Foxtrot, construído em 1971, em meio a Guerra Fria. Ele está entre um dos maiores submarinos não-nucleares do mundo, mesmo não estando em serviço militar atualmente, com 91 metros de comprimento.
Sua quilha foi colocada e contruída no estaleiro Sudomekh, em Leningrado (atual São Petersburgo, Rússia) em 10 de abril de 1971, foi lançada em 22 de junho do mesmo ano e colocado na ativa em 4 de dezembro.
Durante 22 anos o B-427 patrulhou o Oceano Pacífico, protegendo a União Soviética de possíveis ataques dos Estados Unidos. Em 1989, o submarino estava voltando para a base em Vladivostok quando foi surpreendido por um tufão em alto mar. Todo o aparato não podia ser acionado tão rapidamente para que o submarino ficasse debaixo d'água, e por isso seu casco foi atingido pelo tufão, causando avarias, destruindo o casco levemente e danificando os tanques e as tubulações de ar e pressão. Ele foi auxiliado e retornou a Vladivostok, tendo seu casco reparado e reformado.
O tempo passou e em 1994 ( 3 anos depois do fim da URSS ) a Rússia estava pronta pra desmantelar o submarino, quando um grupo de empresários australianos assinaram um "contrato de locação" e o adquiriu. O submarino chegou a Sydney em 31 de agosto e após alguns reparos estruturais e modificações, foi emprestado ao Museu Nacional da Marinha Australiana, para servir como navio museu, sob a designação de "Foxtrot-540". Só que o tempo de contrato se expirou e a Marinha Russa começou a cobrá-lo; foi feito um novo acordo e um ex-marinheiro australiano foi designado como oficial do submarino e ficou encarregado de cuidar e comandar a embarcação. O submarino estava quase que em condições de funcionar, com geradores a diesel, sistema de armazenamento elétrico e todo o equipamento em perfeitas condições de uso. Então foi contratado um pessoal russo para ensinar aos funcionáros australianos a lidar com o maquinário soviético do submarino e como mantê-lo.
O submarino passou 3 anos atracado no museu, atraindo mais de 700 mil visitantes para as exibições. Em 1998, o submarino foi carregado para Long Beach, na Califórnia - Estados Unidos. Ele foi atracado ao lado do navio museu Queen Mary, da Cunard Line, e desde 14 de julho de 1998 ele é aberto ao público, possibilitando de visitas a estadias no interior do submarino. Ele ficou, e é, conhecido como "Povodnaya Lodka B-427 Scorpion".
Em 19 de abril de 2011, a Delaware Nort ( empresa que opera o Queen Mary atualmente ) anunciou que tinha adiquirido o B-427 Scorpion, e estavam planejando almentar as atrações a bordo do histórico B-427 e também a bordo do Queen Mary. Até hoje o submarino conserva a bandeira da União Soviética e suas flâmulas navais em sinal de respeito.
O B-427 visto do convés do Queen Mary
Então não se esqueçam: quando virem uma foto do Queen Mary ancorado, não se esqueça que aquele submarino ao lado dele, já pertenceu a maior nação que já existiu: a União Soviética.
Dedico este post aos amigos soviéticos: Charles Moraes, Izaque, Sergio, a todos os admiradores da URSS e fãs de navios e História!





